quinta-feira, fevereiro 19, 2009
sábado, dezembro 20, 2008
quarta-feira, novembro 26, 2008
O Frio
Abrir os olhos. O quarto ferve. O corpo sua, calor a mais dentro deste quarto, como sempre. Vou à janela. A surpresa não vai acontecer. Mas há sempre a esperança disso. Abrir as cortinas...Igual, sempre igual, vidros molhados, o sol ficou para outro dia, céu escuro e claramente ameaçador. Pois muito bem, o céu ameaça mas eu também. Um acordar rápido com água bem quente (há que aproveitá-la agora, pois no fim do dia já não vai abundar). Pequeno-almoço tomado. Porta fora. O Frio (e tem de ser com maiúscula pois este frio merece isso) gela o nariz, aperta o casaco e esconde a cara, o Frio gela os dedos, mete as luvas e mãos dentro dos bolsos, pernas geladas, única solução: andar mais rápido. Passar pelo Steve cumprimentá-lo, evitar as duas horas de conversa, não porque não tenha vontade mas porque não tenho tempo. Passar a cabine já num ritmo bem mais acelerado do que aquele que tinha quando saí de casa. Portão azul, casas avermelhadas, janelas e cortinas fechadas, carros parados. Longa rua com casas de um lado e do outro. Chego ao fim da rua e olho para a direita, lá está o supermercado de conveniência, caro, claro está. Ziguezaguear as barras metálicas que atrasam as bicicletas e mais casas. Desta vez com jardins. Começo a ver um gradeamento preto, passo-o ando mais um pouco e cheguei ao estúdio.
Primeira aula do dia. Oito e meia, aquecimento. Lá está a Alana, cabelo molhado, loiro, olhos azuis. Cumprimento do costume e sorrisos também, não fosse aquela a primeira aula do dia com a Beth. Nove horas. Beth entra, canudos ruivos e perfeitos que prende com um pequeno gancho “invisível” no cimo da cabeça. Ai vamos nós. Primeira música, primeiro exercício, Antony & The Johnsons. Não vou dizer as palavras do costume para descrever a felicidade crescente que sinto naquelas aulas. Mais do mesmo. Não chega. Não serve. Difícil tantas vezes, mas tão tão tão bom de se fazer. Explicação atrás de explicação. Nina Simone. Mais uma felicidade. Porra (perdoem a expressão). Que aulas aquelas…que movimento aquele…bom…não interessa…adiante. Pausa. Chá. Talvez. Conversa. Não interessa. Mais uma aula com a Beth, outra turma, o mesmo prazer. Igualzinho.
Parte da manhã concluída. Nariz dentro do casaco, casaco fechado, luvas, mãos nos bolsos, boina na cabeça (tinha-me esquecido da boina). Caminho inverso. Aí vamos nós. Almoço, algo rápido. Quando se divide a cozinha com quatro pessoas só pode ser algo rápido. Batem à porta. Steve. Conversa para o dia todo, simpatia para o dia todo. Falamos enquanto enrolo um cigarro (espero que ele perceba que vou querer fumá-lo quando acabar de o enrolar), ele percebe. Vai arranjar a luz do corredor que se fundiu. Meto a saqueta na caneca, água quente, açúcar, leite, tiro a saqueta, cigarro na boca, prendo o trinco da porta, fecho o casaco. Acendo o cigarro. Cigarro e chá depois de almoço para aquecer................................................
É verdade que enquanto vivemos os nossos dias, eles não passam de dias, não são mais do que isso. Não penso nas recordações que vou ter amanhã. Fazemos a rotina e não pensamos nisso. Quebramos a rotina e também não pensamos nisso. Mas ao que parece, pelo menos é o que sinto, os dias são sempre mais do que dias. São amontoados de recordações, cheiros, pessoas, sabores, saberes, prazeres e tudo o resto que inevitavelmente se encerra neles.
Recordo estes dias agora e penso que cada parte do dia poderia ser descrita ao pormenor, com mais detalhes do que aqueles que até me lembro de ter reparado. Ainda que, honestamente, há coisas que não consigo descrever… como a felicidade em fazer uma aula da Beth Cassani, o prazer em jantar pela primeira vez com a Alana e o Mike….Não vou descrever esses prazeres. Nem enumerá-los. Estão em mim. Fazem de mim o que sou (perdoem o lugar comum).
O Frio gela o nariz, aperta o casaco e esconde a cara lá dentro, o Frio gela os dedos, mete as luvas e mão dentro dos bolsos, pernas geladas. Única solução: correr.
Aí vamos nós.
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Clara
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quarta-feira, novembro 26, 2008
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terça-feira, novembro 18, 2008
Duas músicas para hoje.
Cut Copy,Far away
Bon Iver, Skinny love
Prestando atenção às letras é, ainda, mais saboroso.
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Clara
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terça-feira, novembro 18, 2008
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terça-feira, novembro 04, 2008
A remarke you made
Neste blog escrevinha-se de tempos a tempos.
Hoje trago comigo esta música que o Zézinho me mostrou há já muito tempo.
A primeira vez que a ouvi pensei:
Que coisa tão melosa e horrível e tão fora de tempo e etc etc etc.
Tudo mentira.
Hoje "A Remarke you made" decidiu assaltar-me e tomar-me de assalto.
Um grande beijo para o meu Zé que me trouxe Weather Report e muitas, muitas outras coisas.
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Clara
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terça-feira, novembro 04, 2008
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quinta-feira, setembro 18, 2008
Em Lume Brando
O meu corpo está
O meu querer descansa
A minha respiração outrora ofegante, oferece agora a calma característica
O sentimento que tenho pelos meus ferve agora
O meu movimento, desenfreado, desmedido, inconsequente,está agora
As minhas vontades bruscas, imponderadas estão agora imbuídas
Descobri algo. Descobri-o. O Lume Brando.
Este é característico das gentes que respiram o ar dos sítios perdidos...onde muitas vezes as casas são devoradas pelas àrvores, em vez de ser o contrário - Catarina.
Lume Brando.
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Clara
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quinta-feira, setembro 18, 2008
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18 de Setembro
Chegou-me a casa terça-feira à noite. Não conhecia. Decidi "oferecê-lo" à minha mãe, neste dia. Em todos os dias.
"As mulheres de 80 anos sentam-se em todas as cadeiras
como se estivessem sentadas em tronos. Podem ter anéis
nos dedos, como podem ter lenços de assoar nos bolsos.
Em natais, festas de aniversários com pão-de-ló,ou em
casamentos, as mulheres de 80 anos reúnem uma
assembleia de afilhadas solteiras e explicam-lhes
que a vida é transparente e que o passado, fechado em
armários que rangem durante a noite, brilha às vezes, como
as pratas dos chocolates que entregam nas mãos das crianças."
José Luís Peixoto, CAL
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Clara
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quinta-feira, setembro 18, 2008
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